Departamento de Endocrinologia Feminina e Andrologia


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Reposição hormonal para homens

29.03.2015 Andrologia

envelhecimento é caracterizado pela perda progressiva da função celular e tecidos coordenados, tornando o organismo menos apto à reprodução e à sobrevivência.

Nas mulheres, há uma mudança bem definida e abrupta da função reprodutiva. A partir dos 40 anos, inicia-se uma queda progressiva na produção dos hormônios femininos decorrente da falência ovariana. O principal hormônio é o estrogenio e por volta dos 50 anos, ocorre parada completa na produção de óvulos configurando a menopausa.

No homem, a partir dos 30 anos de idade, os níveis de um dos principais hormônios masculinos , conhecido como testosterona começam a diminuir de maneira lenta e gradual, desencadeando a diminuição do desejo sexual, irritabilidade, diminuição da massa muscular, aumento da gordura abdominal e disfunção erétil. A presença destes sintomas, acompanhada da redução da testosterona, caracteriza o distúrbio do envelhecimento masculino e necessita de reposição desse hormônio em doses fisiológicas para melhorar a qualidade de vida.

Diferente das mulheres, entre 15 e 30% dos homens desenvolvem esse distúrbio a partir dos 40 anos.

A queda da testosterona leva à diminuição da massa muscular e fadiga, reduzindo a disposição para a realização de atividade física e aumentando a gordura abdominal e resistência à insulina, o que leva a um maior risco de desenvolver diabetes mellitus e doenças cardiovasculares.

Os pacientes com testosterona baixa e diabetes têm probabilidade seis vezes maior de desenvolver aterosclerose com aumento da espessura da artéria carótida e disfunção endotelial, comparados a homens que apresentam níveis normais.

Cerca 1/3 dos pacientes diabéticos e 1/4 dos obesos apresenta testosterona baixa, causando um aumento da mortalidade.

Os baixos níveis de hormônio masculino estão relacionados a alterações da memória e atenção levando à diminuição da função cognitiva. A reposição hormonal melhora a cognição espacial e o raciocínio matemático.?Durante décadas, foi dito que a testosterona desencadeava o câncer de prostata mas nunca houve uma evidência convincente para provar esta afirmação. Pode ocorrer um discreto aumento do PSA e, se este for significativo, deverá ser realizada uma investigação mais detalhada na próstata.

Não há evidências consistentes de que o uso de testosterona em homens com hipogonadismo aumente o risco de problemas cardiovasculares, de acordo com a nova revisão de outubro de 2014 pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

A prescrição deve ser individualizada e restrita para homens nos quais as indicações clínica e laboratorial se fazem realmente necessárias. A dosagem da testosterona deve ser realizada entre 8 e 11 horas da manhã e repetida pelo menos uma vez para ter maior precisão, pois este hormônio é secretado de forma pulsátil.

Caso o valor da testosterona esteja baixo, deve-se dosar a SHBG (proteína transportadora dos hormônios sexuais) e calcular a testosterona livre.?Se esta estiver baixa, deve ser feita a reposição hormonal, após descartadas outras causas de hipogonadismo secundário, como hiperprolactinemia e tumores.

O toque retal e PSA são obrigatórios antes de se iniciar o tratamento. O câncer de próstata e de mama são contra-indicações absolutas para a terapia androgênica. O tratamento exige monitoração cuidadosa a cada três meses que deverá ser realizada pelo endocrinologista.